sábado, 18 de maio de 2013

Um pouco de Sacanagem: O Escorpião e o Sexo

         Escorpião é o signo do sexo, voltado mais para a sensualidade; é o signo do mistério, das emoções fortes e da vingança, podemos resumir? Escorpião é nada mais, nada menos, do que uma novela mexicana, com cenas de sexo! E, nossa, que sexo, amiguinhos. Tudo nele é sexy: escorpião encara as pessoas, deixam-as sem graça, isso porque tem um olhar profundo, intenso, mas se a pessoa for zarolha, vira motivo de piada – tá certo, vamos sorrir um pouco né? Donos de físicos invejáveis, aliados à uma "saúde de ferro", costumam, de maneira muito fácil, enganar a idade, pois não aparentam ter a que lhes cabem. 
         Mas, deixando o ego de lado, e voltando ao assunto anterior, o problema é que o escorpião é muito intenso, então tudo tem um sentido muito profundo; por isso que são super atraentes, além de vaidosos (verdadeiros metro-sexuais), porém na hora de se arrumar pra sair pra algum lugar, não tem muita “frescura”, tirando os cremes (hidratantes corporais de preferência frutas vermelhas, e cremes facias e máscaras proteroras, além do filtro solar) e o bom perfume – um tradicional Ferrari ou aquele Malbec da embalagem roxa que nós costumamos ganhar de presente de vez em quando, ah, isso aí, tem que ter. Um jeans bem rebelde, que mostre a estampa da cueca (Armani branca seria uma boa escolha), e uma blusa basic  de preferência em tonalidades branca, preta, cinza ou vermelha , óculos escuros Ray-Ban nas mais variadas cores, um jaqueta de couro, seja ela qual for a cor, e sapatos baixos, e está lá, um indivíduo bem arrumado, perfumado e (não deixa de estar, dependendo da ocasião) elegante. Na hora do banho, nem se preocupe, ao invés de se masturbar, ele só está pensando realmente nisso aí  e já tem tudo arquitetado em sua mente, de acordo com cada ocasião. Afinal, masturbação com eles, é algo bastante demorado, pode ter certeza que leva horas pra alcançar satisfação – se é que alcança
            Querem algo mais romântico e puro do que isso?

'Quando tomo água, estou tentando aplacar a secura da minha solidão'.

'Quando estou dormindo e ronco, é porque é a única maneira de você me ouvir, porque você não me ouve, Efigênia!’

'Quando faço cocô é uma maneira de negar sua comida, que é muito boa, mas eliminando-a pelas fezes, mostro e nego , o prazer que ela , sua comida, me causa.'

         Vocês entenderam?

       E olha, tem mais uma, antes que me esqueça: Escorpião também não esquece nada. No meio de uma transa magnifica (aquela mesmo que você mulher, já tem atingido o seu sétimo orgasmo seguido e o dito cujo lá, firme e forte pra fazer o black jack), ele simplesmente pára e se levanta, e você, sem entender, pergunta:

- O que houve?
- Lembra-se que há dois anos atrás, você bateu o telefone na minha cara? Pois bem, agora você me pagou. 

          E simplesmente sai para tomar um gole de Fanta ou Coca-cola – ambas da mesma marca, iguais a eles. E você pensa que aquilo tudo pra ele realmente deu trabalho?
     Olha, escorpião também é obcecado pelo poder. Quando ele chega em qualquer lugar , ele passa literalmente, “os olhos”; como tem uma boa intuição, sabe quem tem mais poder naquele lugar, e se aproxima da pessoa certa pra ele; pronto! Viu só como é simples? O danado faz o seu papel charmoso, sempre bem sexy, organizado, arrumado e perfumado, impecável, e em seguida, fecha bons negócios, consegue bons contatos. Mas nunca se iluda: o escorpião trabalha duro, é muito organizado, compromissado e persistente. Como tem grande controle emocional, vai longe. E por falar em controle emocional, ele pode estar louco de amor, doido por uma happy hour com você, ardendo por dentro, vendo sua calcinha preta e presa naquele vestidinho preto e arrochado, mas ele olha para você e diz:

- Você não lavou a louça, sua porca!

         E como transa, affe – incrível como não se cansa!
       Este signo descobre facilmente seu lado B. Aquilo que só você sabe e tem vergonha, morre de medo de falar; não é que o miserável descobre, e faz? Ah, é gostoso, mas dá medo! Gente, Escorpião – sim, em letra maiúscula – faz sexo em qualquer lugar; e quando o doido quer sexo, ele vaga pelas noites, e como sempre encontra – o ruim é satisfazer o danadinho. E quando se apaixona? Coragem! Ele te vigia, te perturba, te persegue, te cerca. Mas é tão bom, porque coleguinhas, o sexo...

O tal do Escorpião é insaciável! "Armaria, nãããm"!

          Porém:

Nunca, jamais, em hipótese, alguma, minta para ele, ele descobre!
Nunca, jamais, em hipótese alguma, tente engana-lo, porque ele percebe.
E nunca, jamais, na sua vida de são, apronte com ele, porque ele se vinga. E vingança pra ele... ah coleguinha, essas coisas, ele entende mais do que ninguém, viu?

          Fora isto, é um amor de pessoa (risos)! 
          Com certeza, é o signo mais ousado, quando se trata de sexo, porque cultiva qualquer forma de prazer. A mulher de costas para o homem é sempre uma boa opção – Escorpianos amam “pegar e estralhaçar” tudo; são fascinados por nuncas, um carinho (de língua) nas orelhas, nos pés, pernas e na região oral e anal – esse último nas mulheres os levam simplesmente à loucura –, e um belo par de pernas, escondidos naqueles vestidos vermelhos, pretos, brancos e amarelos – nessas horas ele não precisa nem tirar sua roupa, simplesmente faz o serviço bem feito onde e como você quiser. 
       Eles amam o seu corpo por completo, sabem como tocar cada região. São fascinados por olhos e bocas. São verdadeiras lendas em beijos. O beijo de um escorpião transforma qualquer ser humano, porque quem foi beijado por um, nunca, jamais, em hipótese alguma, esquecerá. Sabe aquele beijo suave no começo, que depois a língua vai penetrando devagar, e depois as mordidas começam a surgir, e de repente os olhos começam a girar, saindo do lugar? Você nem percebe, mas está tão excitada com a situação, que a vontade que dá é engoli-lo por completo. Amam aquele sarro quente, capaz de amassar a parceira toda como um ferro de engomar. 
Ao Escorpião pode faltar-lhe tudo, menos "pegada"!
       A posição das pernas e dos braços podem variar, desde que a ordem seja sempre aumentar o prazer. Gostam de pegada firme, de descascar tudo, e de uma longa preliminar. O sexo pra eles só tem sentido depois que deixam as parceira(os) extremamente excitadas(os) e literalmente molhadas(os). Nunca se iluda, ele é capaz de te deixar úmida com um simples toque. Sinônimo de audácia, nada o intimida. Ele sabe como ninguém levar a parceira ao delírio, portanto pode contar os orgasmos (ele sempre conta, mas gosta de sentir, e ouvir, cada um deles). 
        Mas, como tudo não é perfeito, se não sentir que ela é sua cúmplice, vai simplesmente embora, da pior maneira possível, em busca de alguém que corresponda aos seus anseios sexuais. Escorpianos são discaradamente “safados” com seu amor – a pessoa que tem um não tem do que reclamar nesse sentido, o apetite sexual do danadinho é coisa incrível –, e com eles, não duvide: o sexo é um ritual – dos bons. Eles são os mestres das posições; tente fazer sexo com um, você nunca se sentirá mais a mesma, esqueça seus princípios tão tradicionalistas, ele vai te deixar louca com simplesmente tudo o que você nunca imaginou, aquelas que, com certeza, nunca fosse se passar pela sua cabeça de mulher decente – ele vai tirar toda a sua descência, pobre de você , acompanhadas de palavras picantes. Amam transar em situações que misturem prazer e medo, em lugares que você nem imagina!
         Você tem um nativo do signo? Não o troque. Se você não tem, que pena... não sabe o que está perdendo.

Por Dandan. Sem nada pra fazer, pensando em safadeza.
18 de Maio de 2013.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Você deveria pensar desse jeito...

As pessoas tem o mal pensamento de achar que estamos a viver dizendo as coisas que acontecem em nossa vida para todas as demais. Engraçado, se realmente fizéssemos isso, o que seria de nós?


Não sei você, mas eu, particularmente não quero minha vida como um "Correio da Borborema" ou um "Washington post", ou quem sabe ainda um "The Sun". Sou reservado. Sempre fui assim e continuarei sendo. Nessas horas, as pessoas deveriam olhar para a vida delas; olhar bem para o que estão fazendo. Se quando nos sentimos mal, e desabafamos "muito mal desabafado" o que ocorreu conosco ontem ou em algum momento de nossas vidas - e com pessoas que nos estenderam a mão quando precisamos, que viram as situações pelas quais passávamos e/ou passamos -, e, enquanto isso, outras pessoas, que muitas vezes consideramos importantes e as vezes muito mais do que importantes - e olha que algumas vezes nos machucaram, nos fizeram sofrer um pouco, nos humilharam, mas mesmo assim continuamos sendo e continuamos sentindo a mesma coisa por elas -, se sentem excluídas, ou simplesmente começam a pensar que não são mais importantes, ou sentem que não são mais o que significavam pra nós, e tudo isso, apenas pelo simples fato de não as procurarmos naquele momento... poxa vida, sinceramente, o que seríamos de nós?

Com certeza, seria muito egoísmo, falta de maturidade, de caráter, de amor próprio (porque quem se ama tenha certeza, também ama os outros) da sua parte, da minha parte, pensarmos dessa forma para com essas pessoas. A vida não é um jogo. E eu não sou metamorfose ambulante. Espero que você também não seja. Eu sou o que sou, porque escolhi isso pra mim. Eu privo e honro meus compromissos. Eu luto e alcanço todos os meus objetivos. Eu sei respeitar porque me apresentaram ao respeito. Eu tenho essa "vida boa", porque escolhi ela pra mim. E eu faço inveja a muitas pessoas, porque conheço o meu valor. Eu sei que tenho futuro. E eu sei que vou ser alguém na vida. Vou vencer. Porque eu quero. E o que eu quero, eu consigo. Da mesma maneira espero que seja você meu caro leitor, consciente de tudo isso.

Mas, e você pessoa importante, que pensa daquele jeito? Como vai a sua vida? Se olhou no espelho hoje? Já fez o seu monólogo? Perguntou pra si mesmo quem você é? Por alguma ironia do destino, você sabe o que você faz nesse mundo? Sabe mesmo qual o real sentido da vida?

Antes de me criticar, ou de criticar alguém, ou exigir de mim, ou de qualquer pessoa algo, antes aprenda, primeiramente a exijir de você mesmo. Seja sincero com você mesmo. Você não vai perder nada. Pelo contrário, vai ganhar em tudo. Eu te garanto. E ponha o seu cérebro pra pensar, pra funcionar. Isso ajuda bastante. Cresça pra vida. Porque ela não vai ficar esperando por você, que age dessa maneira, o tempo todo.

Você, pessoa importante pra mim, e com certeza pra muitas outras pessoas, deveria fazer isso. Não por mim, ou porque estou dizendo pra você fazer. Antes de tudo, deveria fazer por você mesmo. Eu, as pessoas conscientes, e a vida, apenas te agradeceríamos por isso.


Boa noite, 17 de Abril de 2013.
A vida é linda, a gente que complica.

terça-feira, 5 de março de 2013

A morte de Chávez e as ditaduras pelo mundo

“O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morreu na tarde desta terça-feira (5), aos 58 anos, na capital Caracas.
A morte ocorreu às 16h25 locais (17h55 de Brasília), segundo o vice-presidente Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez, que fez o anúncio em um pronunciamento ao vivo na TV.
"Às 16h25 locais (17h55 de Brasília) de hoje 5 de março, faleceu o comandante presidente Hugo Chávez Frías", disse Maduro, emocionado.
"É um momento de dor", afirmou, cercado pelos ministros do governo.
Chávez estava internado em um hospital militar na capital, Caracas.”
(Trecho retirado do portal de notícias da globo.com
<http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/03/morre-aos-58-anos-o-presidente-da-venezuela-hugo-chavez.html>)


O complicado é você abrir a boca e criticar o ser humano, só porque o mesmo possui uma visão diferente da sua. Agora a pouco, abro minha facepage apenas para ver o que as pessoas comentaram sobre a morte de Chávez. É incrível a quantidade de insultos que o mesmo recebe por parte de uns, e a simples indiferença por parte de outros.
Acredito que cada nação tem o governo que merece. Mais uma vez a tal corrupção, presente em todas as nações do planeta, torna-se motivo para o ingresso de "ditadores" e "revolucionários" à "presidência" de países, salvo neste momento a Venezuela.
Hugo Chávez lutava pelo que acreditava. E não o venhamos desmerecer, pois teve sua participação e importância, por mais insignificante que seja, se assim posso dizer, em seu país. Ele "reconstruiu" a economia, foi responsável pelo ingresso da nação junto ao Mercosul no ano passado (Agosto de 2012), e creditou a permanência de seu país junto à OPEP, firmando-se como um dos maiores produtores do ramo petrolífero no planeta. É certo que implantou o regime socialista (em pleno século XXI), e apoiou países que se dizem anti-capitalistas (ou anti-americanos?), conhecidos como "eixo do mal" - termo pejorativo dado, claro, devido à influência da "democracia" imperialista americana ao redor do mundo. Mas reflitamos: Quem o pôs no poder?

Mahmud Ahmadinejad brinca com Hugo Chávez durante visita do presidente iraniano a Caracas nesta
segunda, 09 de Janeiro de 2012. (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
 Não é de hoje que países que adotam o sistema revolucionário e/ou ditatorial são literalmente financiadU$$ por (quem mesmo?) políticas americanas. Não esqueçamos de casos como o Golpe de 64 (com o fim do governo democrático de Goulart a partir do dia 01 de Abril, em nosso país), Augusto Pinochet (Chile, 1973), Osama Bin Laden (naquele momento o herói de guerra, lutando a favor dos EUA) e a intervenção no Afeganistão (durante a invasão soviética no final dos anos 70 até o final dos anos 80), o Golpe de 73 e a a volta do Peronismo (Argentina) e, diga-se passagem, já esquecendo-me, do “tão querido” Saddam Hussein (Iraque, 1963).
  Atualmente, continuamos a ver a "mão" americana passeando pelo mundo. O que foi a primavera árabe? E porque esses países agora querem se libertar de suas "ditaduras"?
        O mais curioso de tudo, é como os EUA "manda e desmanda" não apenas naquela região, mas em todas as regiões do globo; ora financia, ora corta verbas, ora equipa-os militarmente, ora os destrói e esconde suas próprias armas de destruição em massa, ora desvia petróleo, ora cria heróis para, em seguida, os pôr como vilões... É só abrir os olhos e ter um pequeno gosto pela geografia. Hoje, mais um regime "cai" (ou será apenas uma continuidade do já implantado?). Quem/Qual será o próximo? Façam suas apostas, pois ainda temos muitos amiguinhos do governo americano, que comem do bom e do melhor, possuem suas mansões com torneiras e banheiras literalmente "banhadas" a ouro, armados até aos dentes com arsenais nucleares poderosíssimos, e uma população à beira da miséria, sem educação, alimentação, saneamento e condições mínimas de sobrevivência.   O Chávez foi apenas um dos muitos atores do mero espetáculo da mentira americana. E a sociedade aplaude. E zomba. E xinga. E critica. E, agradece novamente.

A então Secretária de Estado Norte-americano Hillary Clinton, em aperto de mão
com Hugo Chávez, durante a cerimônia de posse da  Presidente  Dilma  Rousseff,
em 01 de Janeiro de 2011. Fonte: AP

Dandan Gouveia, 05 de Março, 2013.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Pessoa, Crowley e o Mistério da Boca do Inferno

“Fernando Pessoa e Sintra”, “O Mistério da Boca do Inferno”, ou “Fernando Pessoa e Aleister Crowley”, são as possíveis designações de um mito envolvendo as referidas figuras, a Serra de Sintra, e suas cercanias. Crowley, nascido em Leamington, no dia 12 de Outubro de 1875, cujo verdadeiro nome tido por Edward Alexander Crowley, o mesmo de seu pai, Edward Crowley - que fez fortuna como cervejeiro e, reformando-se dedicou-se ao estudo da Teosofia - viveram durante a primeira guerra mundial nos Estados Unidos, local onde veio a escrever o Hino a Pã que Fernando Pessoa traduziu para a Língua Portuguesa - no decorrer do texto encontra-se o poema na versão original inglesa, e sua tradução portuguesa (original de Portugal). Assumindo então o nome de Aleister Crowler, tornou-se num afamado mago no início do século XX, tendo a sua fama sido mais conhecida pela infâmia com que os jornais de todo o mundo o descreviam, em muito devido à excentricidade de sua vida, e ao radicalismo da sua comunicação, ou as palavras e sentidos que essa sempre tomava.
Mago e ocultista, Crowley se auto-intitulava Mago Therion, e, também de forma mais negra, Besta 666. Aleister Crowley formou a Astrum Argentum (também conhecida como "A.A."), ordem mística que publicava material visto pelos críticos da altura como perverso e satânico. Posteriormente formou também uma ordem pseudotemplária, a Ordo Templi Orientis (conhecida como "O.T.O."), que, com a ajuda da imagem que a primeira a ser criada tinha, contribuiu para acentuar a errónea imagem e sentido que alguns espalhavam sobre a suposta perversa face dos Templários.
Fernando Pessoa, famoso e imortal poeta português, criador/escritor de “Mensagem”, enigmático poema sobre a “Portugalidade”, ou o papel e desígnios de Portugal - também foi atraído pelo ocultismo ao longo de sua vida - estudou inúmeras vertentes esotéricas as quais ia aprofundando ou abandonando conforme essas se iam tornando falaciosas (como principal exemplo temos o da Madame Blavatsky, grande bruxa Russa que, dizem as más línguas, foi uma das responsáveis pelo surgimento dos ideais nazistas – faço menção para o tema “ideais”; sabemos que o nazismo também tinha um cunho espiritual, visto que não era apenas um movimento político) ou se transformando em sentimentos críveis dentro daquele. E assim se passou com o estudo da influência dos astros: a partir de determinado período de sua vida, dedicou-se ao estudo da Astrologia, e anos mais tarde decidiu aprofundá-la ainda mais. E foi precisamente a Astrologia, que acabou por fazer com que os dois se encontrassem.
Após um circular anunciando “As Confissões de Aleister Crowley” (nota: tradução do Inglês para o português de Portugal) em seis volumes, ter ido parar nas mãos de Fernando Pessoa - a qual este achou interessantíssima -, diz a história que o próprio receberia, a pedido seu, dias mais tarde, o primeiro desses seis volumes. Ora, continha este primeiro volume um horóscopo escrito por Aleister Crowley. Após o ter estudado por curiosidade, Pessoa percebeu que o horóscopo estava errado, e que muito provavelmente Aleister Crowley teria nascido antes da hora que esse apresentava. Ao enviar o valor do pagamento para os restantes volumes, Fernando Pessoa adicionou às notas uma carta, pedindo para informarem o senhor Crowley acerca do erro do seu horóscopo, presente no primeiro volume.
Passados alguns dias - e para seu espanto - Fernando Pessoa recebeu uma carta do próprio Aleister Crowley, agradecendo-lhe a indicação do erro no dito horóscopo. E assim desse modo, iniciaram as famosas trocas de correspondências.
Tempos depois, Fernando Pessoa ao enviar uns versos seus em inglês para Aleister Crowley, versos estes que o primeiro estimava, recebeu como resposta, a informação de que o mago o desejava conhecer pessoalmente, e assim que pudesse, Portugal, tão solarento iria ser o próximo destino de suas viagens motivadas por questões de saúde.
Segundo João Gaspar Simões, biógrafo de Fernando Pessoa, esse viria a conhecer "um estranho homem, verdadeiro Cagliostro dos tempos modernos, em cuja complexidade e desenvoltura se acusam os traços típicos desse misto de charlatão e de inspirado que o nosso tímido mistificador debalde procurou ser". João Gaspar Simões escreveu ainda que Fernando Pessoa ficou muito preocupado com a tão esperada visita "daquele feiticeiro - cuja espantosa biografia lhe fora dado a conhecer lendo a história das suas estranhas aventuras na obra onde discernira o erro de interpretação astrológica".
Crowley chegou a Lisboa a 2 de Setembro de 1930, acompanhado pela Mulher Escarlate (Miss Hanni Larissa Jaeger, sua assistente), a bordo do “Alcântara”, depois de ter ficado retido em Vigo durante um dia, devido a um intensíssimo nevoeiro. "Em terra, Fernando Pessoa, transido e tímido, vê avançar para ele um homem alto, espadaúdo, envolto numa capa negra, cujos olhos, ao mesmo tempo maliciosos e satânicos, o fitam repreensivamente, enquanto exclama: "Então que ideia foi essa de me mandar um nevoeiro lá para cima?"" - João Gaspar Simões, in Vida e Obra de Fernando Pessoa: História duma Geração. Acabaram por ir depois para o Hotel l’Europe, e só depois para o Hotel Paris, no Estoril. Depois da chegada, diz-se que Fernando Pessoa só esteve com eles por duas vezes, tendo uma sido no Estoril, e a outra em Lisboa. Porém, a 18 de Setembro Fernando Pessoa recebeu uma carta de Crowley, contando-lhe que Miss Jaeger havia tido duas noites atrás, um “formidável” ataque de histerismo, deixando o Hotel Miramar de pantanas, e que logo na manhã que se seguiu, não havia sinal do rastro dela. Havia, simplesmente, desaparecido.

O Caminheiro de Sintra
"Lembrei-me um dia de traduzir o Hino a Pã, o que fiz, conforme o meu critério de traduzir verso, em absoluta conformidade rítmica com o original. Mandei a V. o poema para, como lhe disse, V. ver o que é propriamente um "poema mágico", em comparação com um simples "poema a respeito de magia" como é o meu "Último Sortilégio" - Carta de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões.
            Abaixo, mostrar-vos-ei o “Hino a Pã”, escrito por Crowley em 1929, traduzido para o português por Fernando Pessoa. Confira a seguir (notas do editor):
 Hino a Pã
(Tradução de Fernando Pessoa - Revista Presença n° 33,
de Julho/Outubro de 1933)

Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Io Pã!
Ioô Pã! Io Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!
Vem com Apolo, nupcial na brisa
(Pegureira e pitonisa),
Vem com Artêmis, leve e estranha,
E a coxa branca, Deus lindo, banha
Ao luar do bosque, em marmóreo monte,
Manhã malhada da àmbrea fonte!
Mergulha o roxo da prece ardente
No ádito rubro, no laço quente,
A alma que aterra em olhos de azul
O ver errar teu capricho exul
No bosque enredo, nos nás que espalma
A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente - do mar sem fim
(Io Pã! Io Pã!),
Diabo ou deus, vem a mim, a mim!
Meu homem e afã!
Vem com trombeta estridente e fina
Pela colina!
Vem com tambor a rufar à beira
Da primavera!
Com frautas e avenas vem sem conto!
Não estou eu pronto?
Eu, que espero e me estorço e luto
Com ar sem ramos onde não nutro
Meu corpo, lasso do abraço em vão,
Áspide aguda, forte leão -
Vem, está fazia
Minha carne, fria
Do cio sozinho da demonia.
À espada corta o que ata e dói,
Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!
Dá-me o sinal do Olho Aberto,
E da coxa áspera o toque erecto,
Ó Pã! Io Pã!
Io Pã! Io Pã Pã! Pã Pã! Pã.,
Sou homem e afã:
Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande! Meu Pã!
Io Pã! Io Pã! Despertei na dobra
Do aperto da cobra.
A águia rasga com garra e fauce;
Os deuses vão-se;
As feras vêm. Io Pã! A matado,
Vou no corno levado
Do Unicornado.
Sou Pã! Io Pã! Io Pã Pã! Pã!
Sou teu, teu homem e teu afã,
Cabra das tuas, ouro, deus, clara
Carne em teu osso, flor na tua vara.
Com patas de aço os rochedos roço
De solstício severo a equinócio.
E raivo, e rasgo, e roussando fremo,
Sempiterno, mundo sem termo,
Homem, homúnculo, ménade, afã,
Na força de Pã.
Io Pã! Io Pã Pã! Pã!
E aqui, o trecho original em inglês, escrito por Crowley, em 1929:

Ainda no dia 18 do mesmo mês (apenas relembrando que estamos em setembro), Crowley vem para Lisboa e encontra-se com Fernando Pessoa, mostrando-se preocupadíssimo com Miss Jaeger, pois dizia que esta estava perturbadíssima e tinha o desejo de suicidar-se, pois achava-se perseguida por um mago negro de nome Yorke. Acabaram por nunca encontrar Miss Jaeger, nem a localizaram em parte alguma da fronteira, sem ter a ciência se a mesma saíra do país em algum momento.
Crowley ficou em Lisboa até o dia 23, seguindo depois para Sintra, onde iria ficar uns dias no Casal de Santa Margarida (próximo ao bar Estrada Velha), perto da casa do dono do negócio da Shell em Portugal. No entanto, Fernando Pessoa afirma ter visto Crowley por duas vezes no dia 24, sendo que uma dessas vezes foi no Rossio, e outra no Cais do Sodré, a entrar na Tabacaria Inglesa. Em ambas não estava a uma distância que pudesse entrar em contato com Crowley. Interessante foi a Polícia Internacional, que viria a dizer dias depois, que Crowley havia cruzado a fronteira Portuguesa, no dia 23.
No dia 25 do referido mês, Augusto Ferreira Gomes - amigo ocultista de Fernando Pessoa, jornalista no Notícias Ilustrado - encontra acidentalmente junto à Boca do Inferno em Cascais, uma cigarreira de – claro, se não o próprio - Aleister Crowley com uma mensagem debaixo dela. Segundo os fatos contados, Crowley tinha ido para Sintra no dia 23 (portanto 2 dias antes), saído do país no mesmo dia, havendo regressado ao país, mais precisamente à Lisboa no dia 24, e no dia 25 a (sua então suposta) mensagem era encontrada à beira da Boca do Inferno. A dita carta, regia-se pelo seguinte:

Visualização criada pelo editor deste texto para ilustrar seu trabalho.
A grafia é bem semelhante a de Crowley.
Para termos uma melhor compreensão da mesma (a foto acima é mera ilustração do editor, aproximando-se da grafia de Crowley), ponho abaixo:             
"Ano 14, Sol em Balança
L.G.P.
Não posso viver sem ti. A outra “Boca do Inferno” apanhar-me-á - não será tão quente como a tua.
Hisos!
Tu
Li
Yu"
Fernando Pessoa interpretou-a, afirmando que o “Ano 14” era o ano de 1930, segundo a cronologia adaptada por Crowley; “L.G.P.” assumiu que não fazia ideia do que significaria, sendo talvez a denominação mística da Mulher Escarlate; “Hisos”, também não o sabia, embora achasse que uma palavra secreta seria, só para ser entendida por Miss Jaeger; “Tu Li Yu” era o nome de um sábio chinês que viveu cerca de três mil anos antes de Cristo, e de quem fantasticamente Crowley dizia ser sua encarnação.
Por fim, o Sol em Balança: Fernando Pessoa afirmava que o Sol tinha entrado em Balança no dia 23 de Setembro, e que logo, desse modo, essa mensagem teria sido escrita entre o dia 23 e a tarde do dia 25, quando a mesma foi encontrada.
Pessoa dizia ainda que a natureza da mensagem revelava o que tinha acontecido, pois afirmava convicto, que nenhum ocultista usaria como assinatura o nome da sua encarnação, a não ser quando esse fosse ao encontro dessa, ao encontro do seu “ser essencial” - "Sobre o fato de Crowley assinar a carta, não com o próprio nome, nem com nenhum dos seus nomes ocultos ou maçônicos, mas com o nome representativo do que considera a sua primeira encarnação representativa, ou seja o primeiro "ser essencial", também haveria algumas observações a fazer, e de algum modo viriam para o caso. O que aí está, porém, já basta".
Existem autores que dizem que Aleister Crowley desapareceu na Boca do Inferno, para ir até a Serra de Sintra, através dos subterrâneos que ali se iniciam. E se se levar em conta aquilo que Fernando Pessoa afirma ser a natureza do acontecido (de regresso ao “ser essencial”) então poderá fazer todo o sentido a quem nisso acredite.
Contudo, Fernando Pessoa nunca esteve estado com Aleister Crowley em Sintra; se bem que Crowley tenha ficado no Casal de Santa Margarida (próximo ao Bar Estrada Velha), há quem diga que a foto que se encontra no final do texto, foi tirada em Sintra, durante um jogo de xadrez entre poeta e mago.
Um mistério? Sem dúvida!
Caso queiram, poderão saber a solução do Mistério da Boca do Inferno, bem como a história da fotografia de Aleister Crowley e Fernando Pessoa jogarem xadrez num café em Sintra.
Mas... Quererás mesmo desvendar o mistério e torná-lo só em história, ou preferes que a história continue um enigma?

Tens a mais pura e concreta certeza que desejas ler a solução para este mistério? De certeza? Pergunto isto porque os portugueses em geral (e os leitores brasileiros que me perdoem, mas não ficam muito atrás) têm a capacidade inata para preferir o fantasioso desconhecido ao cru cerne da verdade, sempre optando antes por se deixar cair em divagações acerca da vida, do que pensamentos concretos acerca da história. Bem, e não é isso o que verdadeiramente nos maravilha? O desconhecido, os “ses”, as infindáveis possibilidades, a incógnita, o enigmático, o espiritual… tudo isso gera em nós um desejo de nos recriarmos com as grandes criações do Universo, e de nos maravilharmos com os estranhos acontecimentos que na vida de cada um de nós sucede, raramente, frequentemente, ou em algum importante momento das nossas vidas.
Ainda assim, na suposta solução deste mistério, ficarão algumas razões intrínsecas das individualidades que esta verídica história constituem, por descortinar… provavelmente, para todo o sempre.
Mas, adiante! Adiante! Se tens mesmo a certeza de que queres saber o desfecho d’O Mistério da Boca do Inferno, siga as considerações finais!

De forma crua e seca, apresento de imediato e perante si, um excerto de uma carta de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões:

(nota: o poema Hymn to Pan / Hino a Pã, foi publicado na
Revista Presença número 33, Julho/Outubro de 1933)
Ora, após ler isto, qualquer pessoa ficará com a sensação de que se tratou apenas de uma espécie de golpe publicitário oriundo do jornalismo de Augusto Ferreira Gomes e do ocultismo de Aleister Crowley.
Porém, nenhum fato concreto existe para, de forma indubitável, apoiar essa crença; à exceção da indubitável forma com que desconfiamos dos nossos semelhantes. É certo também, que na década de trinta do século passado, “golpes publicitários” eram coisas que ainda percorriam rústicos caminhos. E, que necessidade teria o mago, o afamado e infame pela sua negra fama, de dar um “golpe publicitário”, ainda mais para um em que simulava a sua morte, sem sequer ter uma miraculosa segunda parte, onde deveria estar focado na sua “suposta” ressurreição?
Deste modo, podemos depreender que, caso “golpe publicitário” fosse, teria sido urdido com contornos muito mais definidos e achoados para a percepção de quem dele fosse “vítima” – ou seja, o público em geral. Mas não foi isso que se passou. Afinal de contas, nenhuma ênfase foi dada ao suposto reaparecimento de Aleister Crowley, residindo na Alemanha.
Contudo, para além da desconfiança inerente a cada um de nós, acerca do seu semelhante – ainda mais quando a magia se torna em propositada ação de interesse – qualquer pessoa nota um tom de ironia nas palavras que Fernando Pessoa dirige a João Gaspar Simões acerca de Aleister Crowley, o que é todavia estranho, ainda para mais se atentarmos ao tipo de escrita presente na maior parte da correspondência que Fernando Pessoa mantinha com seus amigos e conhecidos.
Que se trataria então? De um “golpe publicitário”? Um “golpe publicitário” falhado por qualquer razão? Ou não teria sido Augusto Ferreira Gomes o comparsa de Aleister Crowley num esquema de alarido público, mas alguém que terá ajudado o mesmo a realizar alguma desconhecida ação? Terão alguns autores razão, quando falam da possível ida de Aleister Crowley da entrada de um gruta na Boca do Inferno, até ao cerne da Serra de Sintra?
Não nos esqueçamos de outra coisa: a estranha foto de Aleister Crowley e Fernando Pessoa a jogarem xadrez em Sintra, quando afinal os dois nunca lá estiveram em simultâneo.


Editado, Revisado e Traduzido por Dandan Gouveia, Fevereiro de 2013.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011


Clubes ingleses gastam R$ 1,25 bi em contratações para a temporada 2011/2012
Equipe que mais se reforçou foi o Arsenal, que investiu R$ 132,6 milhões

Por Agência de notícias Londres e Por GLOBOESPORTE.COM, Inglaterra

Os clubes ingleses desembolsaram nesta temporada de contratações um total de £ 485 milhões (R$ 1,25 bilhão), segundo cálculos da empresa de consultoria Deloitte feitos após o fechamento do mercado financeiro nesta quarta-feira (01/09/2011).
A equipe que mais se reforçou foi o Arsenal. Após um mau início no Campeonato Inglês e depois de vender dois importantes jogadores - o espanhol Cesc Fàbregas e o francês Samir Nasri -, o clube incorporou a seu elenco dois defensores e dois meias, entre eles o brasileiro André Santos, procedente do Fenerbahçe.
By Dandan.
No troca-troca de jogadores, o Arsenal encerra o período de contratações com gastos de £ 51,4 milhões (R$ 132,6 milhões) e receitas de £ 74,3 milhões (R$ 191,7 milhões).
Um outro clube que chama atenção pelo bom poder aquisitivo é o Manchester United. O clube de Manchester anunciou ter obtido lucro recorde no último ano. De acordo com o balanço divulgado, os Red Devils (assim conhecidos na Inglaterra) bateram a marca dos £ 110,9 milhões (algo em torno dos R$ 286,1 milhões).
By Dandan.
De acordo com o jornal britânico "The Sun", o campeão da Premier League e vice da Liga dos Campeões da UEFA, conseguiu ter receita superior a £ 300 milhões (R$ 774 milhões) pela primeira vez em sua história, chegando a um aumento de £ 45 milhões (R$ 116,1 milhões) em relação ao ano anterior, ao atingir £ 334,1 milhões (R$ 862 milhões).
Nas contas, que fecharam em 30 de junho passado, o Manchester verificou queda em sua dívida líquida, que era de £ 376,9 milhões (R$ 972,5 milhões) e passou para £ 308,3 milhões (R$ 795,5 milhões).
Os Red Devils de Old Trafford ainda bateram recorde comercial, atingindo a marca de £ 103,4 milhões (R$ 266,8 milhões).

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Olá pessoal,
Depois te um tempo longe daqui tá na hora de voltar, mas hoje, em virtude do dia internacional da amizade, deixo um poema pra vocês!!! Tenham um bom dia, e cultivem suas amizades!! ^^

A força da Amizade

É uma força que vence todas as diferenças...
Aliás... para que diferenças quando todos são iguais, não existindo superioridade entre os humanos?
Ambos erramos... depois nos perdoamos e esquecemos...
Se temos defeitos, não nos importamos... apenas trocamos segredos e respeitamos as divergências...
Nas horas incertas, sempre um ou outro surge no momento certo...

Seres sem cor... seres sem sexo... seres sem idade... apenas seres...
Que se amparam... que defendem uns aos outros... sem pedir ou esperar nada em troca...
eles fazem porque se sentem felizes apenas por estarem fazendo...
Se reverenciam, se respeitam... se adoram, se apreciam... se admiram.

Mostram que são companheiros de verdade, quando dizem o que realmente precisam dizer...
Se aceitam, sem querer ou exigir mudanças...
Estão sempre presentes, não só naqueles momentos de oba-oba, compartilhando prazeres,
mas principalmente nos momentos mais difíceis...
Não tirando a liberdade... sem sufocar o outro... sem forçar nossa presença...
Estão perto quando precisam... e ao se afastarem, respeitam sempre a individualidade dos outros.

Ora, a amizade não se força...
Mas ela, ah ela tem uma força,
que se intensifica a cada instante...


          Feliz dia internacional da Amizade! Embora não existam muitos amigos, existem sempre as pessoas que gostam de nossa presença ou de nosso louco jeito de ser.


Dandan Gouveia Bonne



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Analisando Kubrick: "Eyes Wide Shut"


      O Design do pôster do filme nos faz permanecer de olhos bem fechados, ou de olhos bem abertos? Desse fato, podemos iniciar uma análise desta última obra do diretor Stanley Kubrick. Sua forma gráfica, não diz muita coisa. Ela é simples e direta; diagramação centralizada e textos em um tamanho grande (forma de destaque) e apenas uma única imagem colocada no centro horizontal da área do cartaz, um casal, símbolo de união, respeito, sinceridade, amor. Depois de ver esse filme, fiquei com certa dúvida: Será isso mesmo? As cores também são poucas, mas bem marcadas. Mesmo tendo poucos elementos e sendo extremamente simples, ele atrai e prende o observador (fiquei atraído desde a primeira vez que o vi - risos).
    Interessante, o filme se inicia com os preparativos de um casal (aparentemente em completa sintonia, mas que você nota que existe algo errado com os dois) para uma festa, onde se apresenta os personagens e suas personalidades, diferentes em cada um. O interessante é que os personagens da trama são pouquíssimos, e as pessoas que participam do filme a maioria não são revelados (devido à grande maioria serem cobertos por máscaras em quase todo período do filme).
    Durante festa, a aparente estrutura familiar sólida do casal começa a se desmoronar. Antes de tudo, eles deixam a filha em casa, e durante o filme, parecem não dar muita importância a mesma, tornando-se não muito lembrada durante o filme, lembra um pouco nossa sociedade de hoje, preocupada em prazeres, dinheiro e elite, esquecendo-se do verdadeiro tesouro: os filhos. Mas vamos lá, Bill se entrosa com duas modelos, enquanto Alice se envolve com um sedutor homem, que fora convidado, que a corteja durante a festa. Bill, porém, é interrompido de sua “quase traição” (ainda tenho dúvidas sobre isso) pelo anfitrião da festa, seu paciente, para atendê-lo. Descobre que a emergência é, na verdade, uma prostituta desacordada devido a uma overdose de drogas. Neste momento as máscaras da sociedade começam a surgir. Homens casados traem suas mulheres nas festas de fim de ano, em seus próprios banheiros luxuosíssimos, revelando um universo embasado na traição, da vingança e da vulgaridade. Em casa, excitados com tudo o que aconteceu eles fazem sexo (e na frente do espelho, você já fez o teste? Gostou? Se sentiu confortável olhando constantemente pra sua mulher? Se você conseguiu, parabéns, ou você é cínico, ou realmente é fiel) realizando seus desejos não concretizados.
   A manhã seguinte começa com flashes do dia-a-dia do casal, Bill trabalhando em seu consultório e Alice cuidando de sua filha, confirmando seu papel de mulher bibelô (poucas vezes que mostra a filha do casal recebendo cuidados). Os flashes do marido e da esposa se alternam de maneira interessante: enquanto Bill cuida de um menino, Alice passa desodorante das axilas e verifica que elas não cheiram mal; enquanto Bill faz exame do toque nos seios de uma mulher, Alice toma café-da-manhã com a filha. Mais tarde, antes de dormirem, o casal fuma maconha e começam a discutir a noite anterior. Ambos questionam o comportamento um do outro, tentando confirmar qualquer tipo de suspeita.
  Bill se revela, aos poucos, bastante conservador. Defende idéias retrógradas em relação ao matrimônio, à sexualidade feminina e ao papel social da mulher. Afirma que nunca sentiu ciúmes de Alice e que a mesma não seria capaz de traí-lo, já que é mãe de sua filha e sua esposa há vários anos. Esse discurso serve como base para a construção da personalidade de Bill, e é um ponto crucial para explicar as ações tomadas pelo mesmo no desenrolar da história. Bill assumiu essa postura e construiu uma família, embasada em uma sólida e duradoura relação conjugal, sustentada financeiramente pelo seu tão árduo trabalho. No entanto, quando sua mulher revela que desejou sexualmente outro homem,  Bill se sente devastado. Realizando uma análise psicológica, a reação de Bill poderia ser explicada de várias maneiras. Essa grande mágoa e sensação de perda vivenciada por ele poderia remeter a uma ruptura para com a chamada "mulher ideal". Bill aplicou os conceitos dessa mulher idealizada em sua própria esposa, esperando que ela respondesse como tal. Quando confrontado com a natureza libertina e lasciva de Alice Bill falha em encaixá-la em seu ideal romântico, razão de seu desejo sexual tê-lo abalado tanto. Esse ideal feminino também poderia remeter, em uma instância um pouco mais profunda, à imagem da figura materna na vida de Bill. O interessante é que Bill, em se total conservadorismo, tem oportunidades de sobra pra viver loucas aventuras, mas durante grande parte do filme mostra seu lado conservador, e quando deseja “cair em tentação”, sempre surge algo inesperado, foi no caso da prostituta (que mais tarde apareceria morta), que pela primeira vez, havia sido atendida por ele no banheiro, que o volta a encontrar novamente (dessa vez em plena caminhada na rua), mas fica com aquele peso de consciência, mais tarde ele descobre que ela tinha AIDS, e novamente ela (sempre ela, lembrando a figura e um anjo da guarda) o salvando naquela verdadeira orgia sexual daquela sociedade secreta.
    A revelação do desejo de sua mulher Alice por outro, acarretaria uma perda ainda maior para ele, já que implicaria no desenvolvimento de uma visão negativa em relação às mulheres em geral, não ficando restrito apenas à Alice.
    Ela não se encaixa na figura feminina idealizada pelo marido, e tem plena consciência disso; no entanto, se sujeita a tal papel. Interpreta fielmente a mãe e dona-de-casa feliz tanto dentro de seu próprio lar quanto para o resto da sociedade. Possui desejos e anseios sexuais, os quais mantém reprimidos por mero conservadorismo cultural. Não seria socialmente aceitável  que uma mulher casada e da alta classe tornasse pública sua vontade de ter contatos íntimos com outros homens . É justamente por isso que até esse momento ela manteve seus pensamentos eróticos ocultos de todos, em especial de seu marido, pessoa com a qual teria que desenvolver a relação mais honesta e sólida de todas.
    Alice poderia ser considerada, por Bill, como mero objeto contemplativo. Teria o valor de uma bela visão, uma linda mulher (realmente nesse filme ela está impecável) que o médico gosta de ter ao seu lado quando um de seus pacientes os convida para uma pomposa comemoração natalina, tempo de união, aumento de laços fraternos, época de esquecimento, nova oportunidade para perdões e todas essas coisas. Sua mulher serviria como uma boa maneira de se apresentar à alta sociedade; ajudaria a manter uma falsa identidade criada por ele a fim de ser aceito no restrito círculo das pessoas ricas e influentes, que constituem seus pacientes. Alice ajudaria a sustentar a identidade criada por Bill para melhor sobreviver às relações sociais, uma espécie de máscara.
   Quando confrontada com as idéias de Bill em relação à fidelidade e ao papel social feminino, Alice se sente irritada por ele pensar de maneira tão divergente da dela. Decide então relatar seu desejo de natureza sexual para com um jovem oficial da marinha, desconcertando-o. Alice assume, para Bill, um posto de objeto de valor com função puramente contemplativa, além de ser economicamente sustentada pelo mesmo.
    Não é difícil analisar De Olhos Bem Fechados, último filme de um gênio, sem se lembrar a toda hora de seu diretor. Stanley Kubrick. O fato de não separar o autor da obra, é frequente, ainda mais quando o diretor morre logo em seguida. De Olhos Bem Fechados é interessante, sem dúvida alguma, mas inconsistente. Kubrick morreu quatro dias depois de exibir aos produtores da Warner a primeira cópia do filme. Perfeccionista compulsivo, a ponto de estender as filmagens durante dois anos, além exigir dedicação total de Cruise e Kidman ao projeto e repetir exaustivamente algumas cenas, é bem provável que o diretor burilasse a obra antes de esta chegar ao público. É um filme estranho, não sujeito a classificações, mas adulto, inquietante, e bastante satisfatório.

Eyes Wide Shut, Inglaterra/EUA, 1999, 159 min. Colorido. Distribuido pela Warner Bros.
Com Tom Cruise, Nicole Kidman, Madison Eginton, Jackie Sawiris, Sydney Pollack, Leslie Lowe, Peter Benson, Todd Field. Escrito, Produzido e Dirigido por Stanley Kubrick.